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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

REALIDADE

Com 141.761 alojamentos familiares em Cabo Verde, 15.2% (21.548) estão fechados e vazios. Sem ninguém a morar lá dentro. Claro que 27.9% dos alojamentos familiares existentes no Sal fazem parte desta estatística, assim como 22.3% dos de Mosteiros, 22.7% de Santa Catarina do Fogo e 21.4% da Brava. Terra dos flutuantes sejam eles turistas ou emigrantes. Também verdade que a dimensão média dos agregados hoje em 4.2 demonstra que mais de 60% dos agregados familiares tem até 4 indivíduos, muito diferente dos anos em que dois terços dos agregados tinham um composto bem mais volumoso.

Empurra-se para longe a época em que a farinha dava “nó” e filas haviam a procura de pão nas padarias que hoje se recordam, como as senhoras percorriam quilómetros para não perder mais um capítulo da telenovela. Problemas que hoje são outros já que 73.9% dos agregados tem televisão para ver o que bem lhe entender, 86.5% pode cozinhar e até fazer o seu próprio pão a gás e 58.3% congelar no seu frigorífico, enquanto 62.3% tem rádio para lhe dar música ou quase o mesmo (51.8%) controla e ouve a música que bem entender com o seu aparelho de CD/DVD/VIDEO.

A conversa por cá anda elevada, os textos cada vez mais caprichados e recheados de “Damn I’m so smart”. Inteligência essa que brilha tanto que até nos ofusca de tanto esplendor. Meus olhos pestanejam e de entre o turvo e o sol brilhante flashes em tons de branco e preto se fazem lúcidas como os alojamentos ditos não clássicos de S.Vicente e Sal. Únicas ilhas em Cabo Verde com mais de 4% dos seus alojamentos em barracas, garagens, fábricas, etc., segundo o INE (Censo 2010); os 45% de residências que não tem água canalizada de rede pública; pior ainda vejo os outros 35,2% que não têm sanita nem latrina, sendo que na Boa Vista adorada do turismo o percentual eleva-se aos 43.7% dos alojamentos. Onde andam esses excrementos?; talvez bem lavados pelos 55% de alojamentos que possibilitam o famoso banho de caneca aos seus residentes; cuja evacuação desses resíduos líquidos se faz em 62.7% ao redor da casa ou na e pela natureza; tudo isso explica a razão das rendas 48% dos lares em Cabo Verde serem abaixo de 10.000ecv e um total de 80% inferior a 14.999ecv.

Mais de 65.8% de nós ainda se encontra no ensino básico, outros tantos no Facebook e mais outros nas calçadas dos dias e das noites nas suas labutas e motivações diversas de cada um. Realidade.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

REALIDADE

Seja Benvindo à vida real. Onde a Tancha continua a viver no bunker do Alto São João; Silvina na entrada de Cascabudjo; Paulino encalhado em Tarrafal de Monte Trigo; Fatinha fincada na barraca de Sal Rei e Juvino na fundo Cobon. Todos parte da vida real, nua e crua, sem qualquer alarido e que não obedece a padrões nem pretensões. Na mesma vida real também vive os com pedigree, os chiques, intelectuais, empresários, patetas, palermas e parasitas, carochos e trolhas, de entre vários outros e os políticos.

As teorias e as evoluções sociais estão bem estudadas. Já agora e também para o showoff habitual fica aqui registado de que todos podem ler e conhecer Durkheim, Weber, Smith, Aron, Parsons, Pareto, Marx, Keynes... apenas alguns e porque tudo o resto é cognoscível. Mas Peirce já dizia que a primeridade é a possibilidade e passibilidade de existência de algo, seja ele um pensamento ou sentimento, ainda antes se quer de este se mostrar possível ou passível de existir. Aqui nada existe mas tudo existe. Não há signos, sinais nem símbolos, mas sim as suas possibilidades e passibilidades de existência.

Hoje um quer ser outro, outro quer ser entendido como outro que ele ou ela aspira ser, muitos querem mostrar a outros que estão com outros e a maioria são outros. Os chiques criarão novos conceitos e nos tags do que carregam consigo passaram a marcar o seu pedigree, mas os que reivindicam deter pedigree de essência se distanciam recentrando no casual classic para uns e góticos ou punks para outros. O eterno jogo do gato e do rato. Assim se vai na vida, assim se vai na escrita e assim se tem vivido.

Existem 335.692 indivíduos com mais de 15 anos de idade em Cabo Verde, dos quais 177.297 pessoas activas ocupadas, 137.227 consideradas pessoas inactivas e 21.168 desempregados. Se pelo menos 20% desta população, mais de 67 mil indivíduos, lesse os Jornais da praça, tivessem facebook, fossem clientes dos K’s da terra e carregassem consigo o traje chique, smarthphones e ou soubessem assim tanto da tecnologia de transporte, a economia Caboverdiana cresceria no mínimo mais 2%. Fazendo conta de merceeiro é só somarmos os impactos na energia, água, telecomunicações, combustível e a movimentação financeira e de inumeros outros bens e serviços, para chegarmos a estes mínimos.

Ainda bem que o País também tem os que criam, que constroem, que acordam pela madrugada ou nem dormem para que o amanhã traga peixe, fruta e pão fresco nos mercados. Os que se endividam para por um sonho a funcionar e desta forma alimentam famílias e famílias de todos os que trabalham nos projectos.