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domingo, 1 de setembro de 2013

RED FLAG

Depois de ter lido o texto publicado pelo Observatório do Emprego de Cabo-Verde: DESEMPREGO EM CABO VERDE DEVERÁ CONTINUAR A AUMENTAR NOS PRÓXIMOS ANOS E, NO PIOR DOS CENÁRIOS PODERÁ VIR A SITUAR-SE-Á EM TORNO DOS 25%. Publicado no Facebook a 30 de Agosto de 2013 levanto um RED FLAG. Se não, raciocina comigo:

1. O texto começa por condenar de que “Na próxima década Cabo Verde terá uma batalha dura a travar contra o desemprego” alegando que a taxa deverá vir a aumentar e “estabilizando em torno dos 20%”. A análise apresentada centra-se nos números de 2012 do INE, reconhecendo não haver outra fonte de informação no Observatório do Emprego de Cabo-Verde. Estamos condenados quanto aos dados porque “as de 2013 só deverão ser apresentadas no 1º Trimestre de 2014.” RED FLAG #1 – Continuamos com 12 meses de atraso de informação e nenhuma capacidade ou projecto do Observatório do Emprego de Cabo Verde para criar meios alternativos de cruzamento de dados económicos e produção de inteligência e valor acrescentado aos dados do INE . O próprio texto diz: “necessitamos de dados mais frequentes sobre o mercado de trabalho”. Qual o papel do Observatório do Emprego de Cabo-Verde? RED FLAG!

2. RED FLAG #2 – Condenamos o Pais ao aumento da taxa de desemprego apresentando esse resultado como óbvio e natural. “Basta cruzarmos os dados sobre o ritmo de crescimento da população em idade activa, da população activa, da taxa de emprego, e sobre o ritmo de crescimento da economia”. RED FLAG pela ausência de informação categorizada, sistematizada e de inteligência que esclareça os impactos dos sectores e áreas da economia, com cruzamento da actividade económica e emprego. RED FLAG!

3. RED FLAG # 3 - O Observatório analisa e vê apenas o pendor negativo do facto nas “projecções da OIT a população em idade activa em Cabo Verde deverá mais do que duplicar em trinta anos, por causa do aumento da esperança de vida e da significativa redução da mortalidade infantil, mas também por causa da redução dos fluxos emigratórios e à emergência de fluxos imigratórios, estes últimos que são, com expressão quantitativa, uma realidade nova em Cabo Verde.” O aumento da população activa parece que toma como certa uma inércia de políticas de emprego e crescimento económico. Ao que parece estamos conscientes da nossa incapacidade de criar emprego e como a população activa vai aumentar, nada mais natural (simples) do que prever o aumento do desemprego. É certo que se baseiam nas “projecções mais conservadoras do Banco Central onde o ritmo de crescimento da economia deverá abrandar para 1% ou 2%.” Mas importa dizer de que a relação crescimento económico e emprego não deve ser de todo directa e linear simples, pois caso fosse a taxa de desemprego teria diminuído nos últimos 10 anos, ao invés de ter aumentado, acompanhando o mesmo crescimento económico. Convém rever o papel do Observatório. Onde estão análises das relações e correlações entre as apostas económicas e geração de emprego. Portanto pela análise ligeira, simplista e discursiva: RED FLAG!

4. RED FLAG #4 – Académica e tecnicamente apresentam três cenários futuros: pior=25%; intermédio=18%; e melhor=11%. Faz pensar onde está a informação de suporte e base a cada um dos cenários? Em que caso um? Ou como chegaremos ao outro? O porquê da margem de erro e diferenciação ser tão elevada, em que do pior para o melhor existem 14 pontos percentuais? RED FLAG!

5. Red flag #5 – O Observatório do Emprego de Cabo-Verde usa o discurso e repete que se deve “rapidamente desenvolver a iniciativa empresarial ao mesmo tempo que diversificamos a economia e aprofundamos as actividades empresarias que já existem, sobretudo as Micro, Pequenas e Médias Empresas, tudo isto complementado por um conjunto de medidas de políticas activas de emprego”. RED FLAG por não sabermos que sectores geram emprego, que áreas, indústrias e negócios? Onde estão os benchmarkings? RED FALG #5 estende-se pelo facto do texto salientar “Urge ganhar a batalha da competitividade externa, competitividade empresarial e a batalha da produtividade e da qualidade.” Tratar este todo desta forma evidência RED FLAG!

6. RED FLAG #6 - Observatório do Emprego de Cabo-Verde refere que “O fenómeno novo que aí vem é o do envelhecimento da população activa, que trará consigo novos desafios, nomeadamente a nível de todo o sistema de ensino e formação mas também do Sistema de Segurança Social”. Números? Que sustenta essa argumentação? Um olhar para a repartição da população por grupos etários faz tudo ficar mais dificil ainda de entender. RED FLAG.

7. RED FLAG #7 – Apresentar a realidade global como “estamos a viver numa era de desemprego elevado, a nível global... Milhares de jovens em todo o mundo saem das Universidades para o desemprego ou no melhor dos casos para empregos que não correspondem às suas expectativas e nem à formação que fizeram. O Mundo terá de reinventar novas formas de criação de emprego para uma geração...”? Big RED FLAG! Evidência uma análise ligeira, discursiva, com olhar diminuto sobre o mundo. Assim fica dificil sustentar a credibilidade e seriedade de uma instituição a este nível e criada com este propósito. Apenas para ficar claro segue aqui uma lista de 49 países, todos, com taxas de desemprego abaixo dos 5.5% conforme se pode confirmar: Cambodia 0.00%, Monaco 0.00%, Qatar 0.50%, Thailand 0.70%, Azerbaijan 1.00%, Belarus 1.00%, Singapore 1.90%, Papua New Guinea 1.90%, Macau 1.90%, Seychelles 2.00%, Isle of Man 2.00%, Kuwait 2.20%, United Arab Emirates 2.40%, Liechtenstein 2.50%, Tajikistan 2.50%, Laos 2.50%, Brunei 2.60%, Switzerland 2.90%, Andorra 2.90%, Malaysia 3.00%, Gibraltar 3.00%, Norway 3.20%, Korea South 3.20%, Hong Kong 3.30%, Cuba 3.80%, Cayman Islands 4.00%, Bhutan 4.00%, Guatemala 4.10%, Falkland Islands (Islas Malvinas) 4.10%, Taiwan 4.20%, Palau 4.20%, Vietnam 4.30%, Japan 4.40%, Austria 4.40%, Panama 4.40%, Saint Kitts and Nevis 4.50%, Honduras 4.50%, Uzbekistan 4.80%, Ecuador 4.90%, Greenland 4.90%, Mexico 5.00%, Bangladesh 5.00%, Sri Lanka 5.20%, Australia 5.20%, Netherlands 5.30%, Kazakhstan 5.30%, Burma 5.40%, Germany 5.50%, Brazil 5.50%.

E porque o tema continua actual, e porque criticar deve ser pela positiva, fica aqui o meu contributo a problemática do desemprego, publicada na Sexta-feira, 2 de Março de 2012: http://rodriguesemilio.blogspot.com/2012/03/made-in-crise.html